06 outubro 2025

O pastor

 

Treze cabras tem o pastor, das treze, três são doutoradas, e as restantes de nada conhecemos, que algumas delas, são letradas, e que outras comem a erva fresca do caderno que fica todas as noites sobre a secretária, e que se esquece de apagar a luz,

Do dinheiro que sobrou na algibeira do anterior dia.

 

As cabras bebem água, pois claro

Todas as cabras, letradas, não letradas

Lêem poesia,

E bebem a água, ou doutoradas,

Bebem a também água,

E comem toda a ervinha do dia-a-dia.

 

As três cabras doutoradas, todas elas, elas todas

Têm um nome;

Temos a Adília, depois logo em seguida, a Adosinda, e por último, não menos importante do que as outras,

Temos a Aurora,

A Aurora habitava na minha rua, mas até já me disseram que nesta rua não mais mora…

 

E eu que sou o pastor,

 

Tenho fome.

Estou cansado.

Tenho sono.

 

E também não o sei e desconheço,

 

Qual das trezes cabras, logo à noite em luar, irei eu

Eu sacrificar.

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