08 outubro 2025

Estranheza, tanta coisa estranha têm os pássaros

 

Estranheza, tanta coisa estranha têm os pássaros, em papel ou estampados num cortinado, fino e sincero, e estranho,

Como os pássaros me estranham, tal como as acácias me olhavam, depois

De e na, a chuva, o silêncio de uma gota que cai da alvorada, tanta coisa louca, e tão pouca,

Sem quase nada.

 

Estranho os pássaros me estranharem. Mas eu também estranho os pássaros, e nunca se sabe,

Se a tarde desenha um beijo nos lábios do mar, não será a tarde e o mar, uma outra página, de um qualquer livro, mesmo que não tenha um nome

Que me estranha, como os pássaros me estranham, e como eu estranho os pássaros e os gatos,

Olho-me ao espelho…

E pareço tão estranho.

Eu.

 

Eu.

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