28 outubro 2025

Era um dia sem fim

 

Era um dia sem fim

O porquê, se o dia pertence ao poema

Se o pedreiro esmilha a pedra, e há sempre outra pedra

Para o pedreiro esmilhar

 

O porquê, se ao dia sem fim

Subtrairmos a quinta dinastia, se o rei sentado

Ordena

Todos em pé e a marchar

 

Outros choravam, e trocavam os pés

Que de pé ente pé, o diabo queria ser o primeiro a comer a sopa

E eu, deixava-o, porque detesto sopa

Porque fui soldado

 

Soldado forçado

Por um homem fui apalpado

Que me fazia um broche

E eu que não, obrigado

 

Só mulheres, e de confiança

Fui drogado

Fui poeta

Fui maquinista de uma máquina invisível

 

Às vezes gostava de desenhar

Fui amado por mulheres casadas, quase pai que fui

Quase chuva que cai

Nos vértices de um seio.



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