Era um dia sem fim
O porquê, se o dia
pertence ao poema
Se o pedreiro esmilha a
pedra, e há sempre outra pedra
Para o pedreiro esmilhar
O porquê, se ao dia sem
fim
Subtrairmos a quinta dinastia,
se o rei sentado
Ordena
Todos em pé e a marchar
Outros choravam, e
trocavam os pés
Que de pé ente pé, o
diabo queria ser o primeiro a comer a sopa
E eu, deixava-o, porque
detesto sopa
Porque fui soldado
Soldado forçado
Por um homem fui apalpado
Que me fazia um broche
E eu que não, obrigado
Só mulheres, e de confiança
Fui drogado
Fui poeta
Fui maquinista de uma
máquina invisível
Às vezes gostava de
desenhar
Fui amado por mulheres
casadas, quase pai que fui
Quase chuva que cai
Nos vértices de um seio.

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