07 outubro 2025

Das laranjas embalsamadas

 

Pareia em teu dúctil corpo de incenso

a melodia poética das flores em construção...

vivo-as como se fossem gaivotas sobrevoando o desejo dos teus lábios

enfim... como se fosses uma nuvem de chocolate com doces morangos

pareiam em ti as palavras silenciosas dos minutos travestidos

que os calendários transformam num jejum incompleto e disforme...

 

Alimento-me das tuas cansadas dores íngremes nas plataformas inclinadas dos discos voadores

aos pratos sobre o teu peito que uma mesa de quatro pernas dorme e vive na praia dos teus seios

incongruente porque lá fora mesmo debaixo das árvores do nosso invisível quintal...

barcos

guindaste de areia

urgem como rugas na madrugada sumarenta das laranjas embalsamadas...

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