29 outubro 2025

As aspas sempre serão aspas, já o poema, não

 

Entre aspas

Das aspas da vida

Ao longe um final ponto, depois uma pequenina vírgula sentida

O parágrafo, treme de frio, cada letrinha é uma pétala em silêncio adormecido

E entre os parêntesis da nocturna solidão, o fastio

Cio

De um vulcão

 

Entre aspas

Das aspas de uma sinfonia

Que do respirar de uma aldeia, de cada chaminé que se avizinha

Uma abelha, uma abelha foge da colmeia

E de tão ser leve e levezinha

Às aspas uma salva de palmas, uma voz amiga

Se ergue das apostolas madrugadas de incenso

Sem perceber que morreu o poema

 

E quem quer saber da morte do poema?

Se o poema não existe, se o poema resiste

Às contrariedades da vida…

Será mais um, coitadinho

E que deus o tenha em seu leve destino

Às aspas o que é de direito, dêem-lhes a lua, o sol

O sorriso da lua, e os testículos do sol…

Porque as aspas sempre serão aspas, já o poema, não.

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