Entre aspas
Das aspas da vida
Ao longe um final ponto,
depois uma pequenina vírgula sentida
O parágrafo, treme de
frio, cada letrinha é uma pétala em silêncio adormecido
E entre os parêntesis da nocturna
solidão, o fastio
Cio
De um vulcão
Entre aspas
Das aspas de uma sinfonia
Que do respirar de uma
aldeia, de cada chaminé que se avizinha
Uma abelha, uma abelha
foge da colmeia
E de tão ser leve e
levezinha
Às aspas uma salva de
palmas, uma voz amiga
Se ergue das apostolas
madrugadas de incenso
Sem perceber que morreu o
poema
E quem quer saber da
morte do poema?
Se o poema não existe, se
o poema resiste
Às contrariedades da vida…
Será mais um, coitadinho
E que deus o tenha em seu
leve destino
Às aspas o que é de direito,
dêem-lhes a lua, o sol
O sorriso da lua, e os testículos
do sol…
Porque as aspas sempre
serão aspas, já o poema, não.
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