29 outubro 2025

A vírgula,

 

A vírgula,

É a charrua

Que lavra a terra invisível de um sonho

 

É a lua de um soldado

O brinquedo de um menino

A vírgula,

É o toque do sino

Que separa a alegria

Da alegria

Que às vezes é o dia

Que às vezes é o dia

Invernal

Carnal o amor

Carnaval

Vai o pastor

O doutor

E o poeta da dor

 

A vírgula,

É o pénis disfarçado de noite

Quando nunca existiu tal noite

Como nunca existiu

A vírgula

Que se disfarçava de pénis

Não

O pénis é que se disfarçava, de pénis

De noite

Açoita as nádegas de uma vírgula

 

E a vírgula sou eu.

 

(29/10/2025)

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