(para
a Cristina Ferreira)
Não me perguntes quanto
pesa o meu silêncio
Não me perguntes a
distância da minha dor
Não me perguntes porque
às vezes te recordo
E não me perguntes
Nem me lembro e tenho
medo de que me perguntes
Porque às vezes nem me
lembro de te recordar
Não me perguntes porque
começo a odiar o mar
E quando me perguntavam
Não me perguntes porque
tenho medo das estrelas
E ontem amava o mar
E as estrelas de me
perguntar
E voava em me sonhar
Não me perguntes porque
nunca mais roubei rosas para te dar
Não me perguntes porque
deixei de ler no jardim
E te olhava
E me perguntava
Não me perguntes porque
não mais fui visível no invisível destino
Não me perguntes se já terminei
o curso
Quando em mim já nada há
para terminar
Não me perguntes porque
tanto leio
Tão pouco me perguntes
Não me perguntes porque
tanto escrevo
Perguntar nunca me
perguntes porque desenho tanto
Não me perguntes quanto
pesa o meu silêncio
Não me perguntes a
distância da minha dor
Não me perguntes se ainda
estou vivo.
(19/10/2025)
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