19 outubro 2025

A rosa

 

(para a Cristina Ferreira)

 

 

Não me perguntes quanto pesa o meu silêncio

Não me perguntes a distância da minha dor

Não me perguntes porque às vezes te recordo

E não me perguntes

Nem me lembro e tenho medo de que me perguntes

Porque às vezes nem me lembro de te recordar

Não me perguntes porque começo a odiar o mar

E quando me perguntavam

Não me perguntes porque tenho medo das estrelas

E ontem amava o mar

E as estrelas de me perguntar

E voava em me sonhar

Não me perguntes porque nunca mais roubei rosas para te dar

Não me perguntes porque deixei de ler no jardim

E te olhava

E me perguntava

Não me perguntes porque não mais fui visível no invisível destino

Não me perguntes se já terminei o curso

Quando em mim já nada há para terminar

Não me perguntes porque tanto leio

Tão pouco me perguntes

Não me perguntes porque tanto escrevo

Perguntar nunca me perguntes porque desenho tanto

 

Não me perguntes quanto pesa o meu silêncio

Não me perguntes a distância da minha dor

 

Não me perguntes se ainda estou vivo.

 

(19/10/2025)

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