31 outubro 2025

A noite

 

A noite levou o sono

Vestiu-se de chuva, e partiu,

 

A noite há muito que não sorri

Há muito que não sabe sonhar

A noite não será mais a noite que eu vivi

Quando o meu corpo era gaivota que não se cansava de voar

 

A noite é prostituta de cabeceira erguida

A noite é uma lástima de sangue e de dor

A noite traz a morte prometida

Aquela morte que parece flor

 

E é amor

E é a dor

A noite tem quatro janelas em porcelana

 

E tem nos olhos a agonia

Que o meu copo à noite pertencia

E se escondia na minha cama.

 

(31/10/2025)

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