17 outubro 2025

A muitas ruas eu pertenço

 

A muitas ruas eu pertenço

De muitos momentos eu o sou

Cansaços em braços

E os sapatos parecem fragulhos

Das pontes o crucificar da luz

Que a noite quer

E come

As muitas ruas a que eu pertenço

 

Das muitas ruas a que eu pertenço

Há uma que nunca esqueço

Porque o sono é um grande comboio

Desgovernado aos sábados e às quartas-feiras

E eu não mereço

Nem quando subo

Tão pouco quando desço

 

Mas as ruas o que são

Se apenas o são

Submundos e outros albergues

Que as ruas são pedras e espadas de arremesso

Que eu nunca esqueço

Porque não o mereço

 

Cada rua a que eu pertenço

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