Uma charrua não mais
aguenta desbravar a terra desértica de um pequeno oceano de luz,
Também os olhos são a
água, quando após a chuva, e se uma janela o quiser,
O dia pertencerá sempre,
sempre aos primeiros silêncios da noite.
Pertenço-me, e quase
nunca, que nunca o estou, ausente, às vezes, tão distante
Entre a distância de dois
olhares.
E há tantos mares, dentro
de mim, tantos, tantos são os barcos da minha infância, quando criança,
Os olhava,
E sonhava.
Inventava-me, criava o
mundo e depois,
Que me sentava, e
escrevia na sombra das mangueiras, o que escreveria eu, se nunca me pertenceu a
escrita, que apenas pareço sempre que nunca o fui,
Um barco sobre a espuma
de um sonho.
Sonhos.
Lençóis de tristeza e que
voam e que se agacham depois de o sol não ser mais,
A alegria,
De um dia,
Depois vem uma bandeira,
a arvore quase doente e de tão magra, cai sobre a charrua que desbrava a terra,
A terra desértica de um
pequeno oceano de luz…
Também o vento me seduz,
só às vezes
Quando transporta até mim
a sílaba mais safada do recreio,
Na aldeia, alguém brinca
dentro de um pequeno círculo de luz, a chorar,
Acorda uma flor, deita-se
o velho sobre o soalho, e eu
Aqui, sentado.
Que talvez, sei lá eu a
que destino pertenço, ou até, se em algum dia, eu tive ou teria,
Um destino, para brincar.
E tive uma bicicleta que
às vezes esfolava os joelhos, e que depois,
Também chorava,
E que tantas vezes,
tantas, eu e ela subíamos a montanha, e lá ficávamos até que vinha a noite,
E eu e ela e as nuvens,
Depois,
Muito despois,
Descíamos a montanha,
Em dada mão dada…
E chegando ao rio,
Eu sorria, e ela
Ela ainda com uma das
rodinhas em pequenos circieis, me dizia,
Talvez, um dia, talvez
amanhã.
Tu sejas o poema, ou talvez
poesia.
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