levaria comigo as
recordações
e alguns cachos de uva
moscatel
desisto de “O medo – AL
Berto” porque no paraíso não existe medo
amor
ou paixão
porque no paraíso apenas
existem recordações
e a saudade
levávamos os cheiros de
uma cidade em ruínas...
levávamos os sonhos
desfeitos
e os desenhos para
pintarmos quando chegasse a noite
levaria uma caneta de
tinta permanente? lápis de cor?
não
talvez
as recordações adormeçam
na mão da insónia
disfarçando-se de solidão
como árvores tombando
sobre os velhos bancos em madeira
sonho connosco sentados a
uma lareira
invento dentro de mim
Invernos
e livros que poisarão nas
nossas trémulas mãos
sonho com as conversas de
dois velhos rabugentos
sempre discordando por
tudo e por nada
sempre
sempre com uma mantinha
sobre os joelhos
e com a esperança de que
um dia o mar entre pela janela
(o leite e as bolachas)
sonho
levaria comigo as
recordações
e alguns cachos de uva
moscatel
e esperava infinitamente
que se extinguisse a lareira
que cessassem todas as
luzes do Universo
que morresse a Lua e o
Sol
e que em todas as flores
com coração de chocolate...
uma rosa absorvesse os
teus molhados lábios
e te erguesses das cinzas
cíclicas e sinusoidais do co-seno do desejo...
os teus seios fungiformes
mergulhariam no “momento flector” das tuas coxas
e uma viga regressada das
lágrimas tangenciais do silêncio... a cor dos teus olhos
sonho
levaria comigo as
recordações
e alguns cachos de uva
moscatel
a cor dos teus olhos
verdes? castanhos?
negros? desculpa-me... esqueci-me e nunca soube as cores
e nunca percebi os túneis
de vento
ou... os buracos de
minhoca
ou a tão afamada
partícula de deus
eu sei eu sei
eu sei que para nós isso
não tem importância...
porque levaríamos apenas
as recordações e alguns cachos de uva moscatel
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