21 setembro 2025

Um outro menino!

 

Traz-me o fogo antes que o dia seja o gelo clandestino e finito de um beijo e de um grito,

No fogo desejo, talvez

Eu pareça um poeta a sério, decente

Ontem, talvez

O homem que se veste e que não sente, o frio destino de um dia, em que a noite acontece, sem o saber,

Na madrugada de uma estrela, tão pesada, a arder.

 

Traz-me o fogo daquele livro, que eu escrevi, e que hoje não o consigo ler, e cada letrinha é uma farpa, que se crava, a cada instante,

Nas minhas veias destemidas no sono de uma ausência, na tempestade

De uma palavra. A morte.

 

E se já fosse primavera, eu acordava,

Da minha mão a charrua, a enxada

Semeada e eu semeava, nas catacumbas do meu sonhar, a palanca secreta que dorme no meu destino…

E um dia, eu serei, novamente menino, não serei mais poeta, não serei mais um pobre destino,

 

Mas serei,

Um outro menino!

 

(21/09/2025)

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