Traz-me o fogo antes que
o dia seja o gelo clandestino e finito de um beijo e de um grito,
No fogo desejo, talvez
Eu pareça um poeta a
sério, decente
Ontem, talvez
O homem que se veste e
que não sente, o frio destino de um dia, em que a noite acontece, sem o saber,
Na madrugada de uma estrela,
tão pesada, a arder.
Traz-me o fogo daquele
livro, que eu escrevi, e que hoje não o consigo ler, e cada letrinha é uma farpa,
que se crava, a cada instante,
Nas minhas veias
destemidas no sono de uma ausência, na tempestade
De uma palavra. A morte.
E se já fosse primavera,
eu acordava,
Da minha mão a charrua, a
enxada
Semeada e eu semeava, nas
catacumbas do meu sonhar, a palanca secreta que dorme no meu destino…
E um dia, eu serei,
novamente menino, não serei mais poeta, não serei mais um pobre destino,
Mas serei,
Um outro menino!
(21/09/2025)
Sem comentários:
Enviar um comentário