tou tou o pouco rouco
estou que vou
o meu corpo é húmus humo
na clandestina caserna depois
queixa-se da perna
acende a lanterna e poisa
a cabeça sobre a terra
a terra
a mártire vagabunda tão
suja e tão imunda
como qualquer bunda
de homem ou de mulher
eu aqui sentado e na mão
uma colher
à minha frente um espelho
corcunda sem saber
a letra da minha canção
ou despida noite onde abunda
a razão e a miséria e o
tesão e a hérnia
que não tenho e que nunca
tive
uma hérnia
quanto ao resto tudo
tenho e tou louco pouco
e mouco e rouco
e vou e sou o vento que
sopra e que sempre soprou
que tenho e que nunca o
tive o tou louco pouco ou uma semente ou uma pevide
ou o teu corpo de
serpente,
ou apenas a tua mão que a
minha mão sente!
Sem comentários:
Enviar um comentário