28 setembro 2025

o teu corpo de serpente

 

tou tou o pouco rouco estou que vou

o meu corpo é húmus humo na clandestina caserna depois

queixa-se da perna

acende a lanterna e poisa a cabeça sobre a terra

 

a terra

a mártire vagabunda tão suja e tão imunda

como qualquer bunda

de homem ou de mulher

 

eu aqui sentado e na mão uma colher

à minha frente um espelho corcunda sem saber

a letra da minha canção ou despida noite onde abunda

a razão e a miséria e o tesão e a hérnia

 

que não tenho e que nunca tive

uma hérnia

quanto ao resto tudo tenho e tou louco pouco

e mouco e rouco

 

e vou e sou o vento que sopra e que sempre soprou

que tenho e que nunca o tive o tou louco pouco ou uma semente ou uma pevide

ou o teu corpo de serpente,

 

ou apenas a tua mão que a minha mão sente!

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