É quase dia, daqui a dia,
Ouve-se o uivar de uma
pedra, de uma pedra cinzenta, suja e imunda, surda, onde abunda
A mão gretada, a pele
quase, quase a purpura madrugada,
Procurando no lilás
andarilho, a esferográfica, o papel timbrado, com as iniciais do seu nome,
O meu nome.
Uma pedra cinzenta, que
sofre, que tem fome,
E é quase dia, daqui a
dia,
Talvez amanhã uma janela
se abra, talvez amanhã, quem o sabe
Uma gata brava
Me entre pela janela
escancarada, talvez amanhã, uma pomba seja cremada, e as suas cinzas sob a
pedra, cinzenta e sentada,
E que lá ficarão até que
o dia seja quase dia, daqui a dia.
E que um dia, depois de
ser quase dia, daqui a dia
Alguém descobre as cinzas
da pomba cremada,
E a mão que antes era
gretada, pegará na charrua e semeará os requisitos mínimos desta pomba,
Desta pomba incinerada.
Depois virá a geada, e o
quase dia, daqui a dia,
Procura nas migalhas
deixadas sobre a mesa, as sandálias que outrora também pertenceram a um dia
quase dia, e daqui a dia
Saberei o que pensas
sobre o meu dia.
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