23 setembro 2025

As minhas queridas rodas dentadas

 

Ando em voltas e às voltas das minhas queridas rodas dentadas

São assim assim nem são chuva nem o capim

E às vezes não são nada

As minhas queridas

Rodas

Dentadas

Têm

Ai que têm os olhos mais belos de toda esta sucata de veneno que brevemente novamente será aço

Mas nunca um abraço

E depois dos olhos temos os seios que deus os seios

Quando ainda havia dias com sol e dias com seios

E dias sem dias

Com sol e sem seios

 

Bom

Pareço às vezes O homem Duplicado (Saramago, Livro) depois como hoje e de tão cansado estar estou sem nome

Um banho e um copo de leite e entretanto retirei a chapinha em acrílico muito linda como os olhos da menina

Roda

Dentada roda e que deus a queira

Um dia

Morre toda a poesia

E a roda dentada

E até o dia

 

Oiço música clássica russa nem porquê sei porque o faço porque gosto

E porque detesto gatos e não é por mal porque nunca conversei com gatos

Mas os gatos não são de confiar assim o diz o senhor Álvaro de Campo

Eu nada digo e sento e me assento e sinto que cada roda dentada do meu corpo

Um prego em aço

Se crava na espada do silêncio

Porra

Que me piquei

 

Depois não sei se amanhã haverá chuva ou o vento o trará como despidas estão

As

Minhas rodas dentadas

O sabonete toca-a e a serpente morde o mamilo pequenino grão de mel e acorda o vento novamente depois da ausência

Cesariny era o poeta dos urinóis

 

Ando em voltas e às voltas das minhas queridas rodas dentadas

São assim assim nem são chuva nem o capim

E às vezes não são nada

As minhas queridas

Rodas

Dentadas

 

E este cemitério mais cansaço do que ervilhas quando depois da missa alguém me grita

Há quanto tempo sem nunca ter tempo eu não te via

E ver eu confesso que não ouvi esta noite pertinho do alguidar a abarrotar de sandálias em couro e meia-dúzia de sombras já quase bolor ou depois

 

De deitar na caminha as minhas queridas rodas dentadas

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