Ando em voltas e às
voltas das minhas queridas rodas dentadas
São assim assim nem são
chuva nem o capim
E às vezes não são nada
As minhas queridas
Rodas
Dentadas
Têm
Ai que têm os olhos mais
belos de toda esta sucata de veneno que brevemente novamente será aço
Mas nunca um abraço
E depois dos olhos temos
os seios que deus os seios
Quando ainda havia dias
com sol e dias com seios
E dias sem dias
Com sol e sem seios
Bom
Pareço às vezes O homem
Duplicado (Saramago, Livro) depois como hoje e de tão cansado estar estou sem
nome
Um banho e um copo de
leite e entretanto retirei a chapinha em acrílico muito linda como os olhos da
menina
Roda
Dentada roda e que deus a
queira
Um dia
Morre toda a poesia
E a roda dentada
E até o dia
Oiço música clássica russa
nem porquê sei porque o faço porque gosto
E porque detesto gatos e
não é por mal porque nunca conversei com gatos
Mas os gatos não são de
confiar assim o diz o senhor Álvaro de Campo
Eu nada digo e sento e me
assento e sinto que cada roda dentada do meu corpo
Um prego em aço
Se crava na espada do
silêncio
Porra
Que me piquei
Depois não sei se amanhã
haverá chuva ou o vento o trará como despidas estão
As
Minhas rodas dentadas
O sabonete toca-a e a
serpente morde o mamilo pequenino grão de mel e acorda o vento novamente depois
da ausência
Cesariny era o poeta dos urinóis
Ando em voltas e às
voltas das minhas queridas rodas dentadas
São assim assim nem são
chuva nem o capim
E às vezes não são nada
As minhas queridas
Rodas
Dentadas
E este cemitério mais
cansaço do que ervilhas quando depois da missa alguém me grita
Há quanto tempo sem nunca
ter tempo eu não te via
E ver eu confesso que não
ouvi esta noite pertinho do alguidar a abarrotar de sandálias em couro e meia-dúzia
de sombras já quase bolor ou depois
De deitar na caminha as
minhas queridas rodas dentadas
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