13 setembro 2025

a ribeira das sete saias

 

entra no rio, descalça, a ribeira das sete saias, sobe as escadas a gôndola e abraça cada pedacinho de pedra que encontra,

o poeta quase dorme e triste, e inventa um baloiço no sono da lua,

senta-se, deita-se e dorme no pavimento gelado que sobejou de um livro, quando a noite, ainda não era a noite, era apenas,

uma criança, ensonada.

 

e a ribeira das sete saias, corre, corre na esperança,

de um dia,

de um dia entrar no mar, de um dia olhar, a outra margem do mar…

de um dia pertencer, apenas, a uma folha em papel, na mão

de quem o lê,

ensonada, uma criança,

era apenas a noite.

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