21 setembro 2025

À outra margem do mar

 

À outra margem do mar, o barco saudade estacionado junto aos meus sonhos, de menino, em criança

Eu voava, depois de ser criança, eu voava

E trazia uma bandeira ao peito, uma ferida por curar, e tantas vozes, meu deus, tantas vozes me viram a chorar, só e sem jeito,

Em não ter jeito para voar,

 

Sem qualquer jeito, para amar.

Vou até à outra margem do mar, e olho o barco saudade, e é ele tão grande, quando eu,

Tão menino, e tão pequenino, e uma corda o prende

Que o sente,

Mais só, no tão e só,

E doente,

 

Que na outra margem do mar, há

Há uma esquina de luz tão negra, na negra magreza de um olhar.

E na outra margem do mar, ser o menino destino, trazia nas mãos as nuvens azuis de um abraço, no silêncio

Tão luz e mais a luz,

Do teu olhar; minha mãe.

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