O simples fio invisível,
a cabeça quase pêndulo, em frente ao mar
As mãos silenciadas pela
voz da distância, à maresia despida até ao fim amanhecer de uma abelha envenenada,
tudo pertence à voz, tudo é um simples olhar
E à luz, despeço-me de
ti, afago a tua fotografia, toco no teu cabelo
E já é noite, meu amor
E sinto a cabeça em
rotações mínimas, pedacinhos de papel que voam à procura de uma sombra, onde se
sentam, e
Olham o mar,
Os barcos, já são hoje
pequenas esferográficas na algibeira de cada árvore rachada,
Que espera a chuva, e que
não se cansa de sonhar, sonhar de que um dia…
Uma lágrima é chorada,
No teu rosto, meu amor
Este corpo já não me
pertence, meu amor
Tenho outro corpo, todo mecanizado,
com inteligência artificial, e que a minha alma, hoje, chama-se Gemini, qualquer
coisa, estranha, dentro de mim, não sinto
E de o pensar, de pouco
me importa, desde que a porta se abra, e nas margens do mar (título de A. Lobo
Antunes) outro mar me encontre,
Mesmo que seja apenas, a
minha cabeça, às voltas com um fio invisível,
No pêndulo do meu olhar
E este fio sufoca-me,
entra dentro de mim, rasga cada veia, que já não me pertence, talvez nunca me
tenha pertencido, este corpo, sofrido, quando o vento é uma barcaça, é uma
bandeira desenhada, na palma de uma mão,
Uma mão,
Só e desesperada.
Sem comentários:
Enviar um comentário