28 julho 2025

Que se eu quisesse, quase enlouquecia

Dois corpos, das nossas sombras despidas, na argamassa de um violoncelo desafinado, porque uma janela está doente, está triste

 

Sob a cama, procura o soldado, camuflado, os destroços restantes de uma granada de sémen que algures, do outro lado da terra, semeou alfaces coloridas, e cada equação diferencial, depois de descer as escadas de acesso ao território neutro da boca de um louco,

 

São dez euros de rodas dentadas, por favor

 

E sem favor, os dois corpos, das nossas sombras despidas, na argamassa de um,

Cão vadeando monte acima, monte abaixo, o Pacheco se masturba junto aos arbustos, e depois,

Cuspia sobre o prato onde comia,

 

Salivava os comestíveis adornos do olho do cu, cansado, chega a casa, despe-se, senta-se nas escadas, fode um cigarro, e pensa;

O que dirá, este poema, de mim?

 

Que se eu quisesse, quase enlouquecia.

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