01 julho 2025

 

por cá somos poucos do que fazemos para fingir que o sol está envergonhado

a maré já está longe do silêncio

tenho de fazer uma lágrima

depois um insecto dispara uma palavra

há uma coisa para dissecar

e

quando chegares avisa para eu fechar a morte...

 

a saudade do ferro fundido e do meu beijo de uísque

a janela está aberta para o teu púbis

uivos de luz desculpam-se e escrevem o teu nome na noite

como se a noite não soubesse que alguém esqueceu aqui o guarda-chuva.

 

hoje estarás? triste. perfeito estado de alma.

as flores são soldados que alguém tem de colher logo pela manhã

pertencem à terra e ao menos sabem matemática e geometria descritiva

porque os óculos não são árvores de espuma

porque são coisas diferentes que dizem saber riscar o teu cabelo na almofada da paixão.

 

queria dormir na tua boca

quando acordar a morte dentro deste labirinto de qualquer coisa de insignificante e modesto para mim

queria perguntar se não me lembro da manhã

e só tenho uma palavra para fazer um desenho...

 

amo-te.

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