do outro lado da esfera,
o grito da cobra, o uivo turvo do silêncio,
o prazer de o ser, sem o
ter
quando o rio galga os
seios dos teus sonhos, quando a chuva, toca no orvalho dos teus lábios
quando o salgado mar, não
é mais o mar
mas apenas uma
fotografia, apenas
uma pedra lançada contra
o vento
do altar, nossa senhora a
escuta, e cada palavra, é um prego que se espeta na seara
cama madrugada, é uma
espada, cravada
em cada esquina do meu
corpo
cada pedacinho de mim,
arde na toca do lobo
o grito
o uivo pardo, e loiro o
destino
a cobra que uiva e mia
que traz ao peito,
o crucifixo da paixão
a criança que pela primeira vez, diz
pai
a janela escuta-a, e
olha-a
como se a chuva fosse
apenas a saudade
se depois as gaivotas
morrem junto aos rochedos, e dos olhos de uma lâmina, o sorriso de uma
sonâmbula manhã, e cada amanhecer
é um gemido da tua boca,
do teu prazer.
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