16 julho 2025

é um gemido da tua boca, do teu prazer

 

do outro lado da esfera, o grito da cobra, o uivo turvo do silêncio,

o prazer de o ser, sem o ter

quando o rio galga os seios dos teus sonhos, quando a chuva, toca no orvalho dos teus lábios

quando o salgado mar, não é mais o mar

mas apenas uma fotografia, apenas

uma pedra lançada contra o vento

do altar, nossa senhora a escuta, e cada palavra, é um prego que se espeta na seara

 

cama madrugada, é uma espada, cravada

em cada esquina do meu corpo

cada pedacinho de mim, arde na toca do lobo

o grito

o uivo pardo, e loiro o destino

a cobra que uiva e mia

que traz ao peito,

o crucifixo da paixão

 

 a criança que pela primeira vez, diz

pai

a janela escuta-a, e olha-a

como se a chuva fosse apenas a saudade

se depois as gaivotas morrem junto aos rochedos, e dos olhos de uma lâmina, o sorriso de uma sonâmbula manhã, e cada amanhecer

é um gemido da tua boca, do teu prazer.

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