A vida do poeta, eu, é fodida.
Às vezes, como hoje, ele chega
a casa mais morto do que vivo, mesmo assim, o palerma do poeta acorda de
madrugada, toma café, fuma cigarros, escreve, às vezes, e durante cerca de uma
hora, delicia-se com a leitura, depois vai à piscina, e
Finge que nada, e depois,
olha-se no espelho
E
Nada.
Amanhã começará a
escrever poesia desde as catorze horas até às vinte e duas, terá uma hora para
comer algumas palavras, defecar outras tantas sílabas, e urinar pequeninas
gotinhas de sémen,
Porque o poeta quase não
tem tempo, isto é, é
É mais fodido do que
fode, e quase não tem força nas mãos, o que, mesmo que ele colocasse a hipótese
de se masturbar, nem isso
De tanto cansaço.
A vida do poeta, eu
Parece um circo
ambulante, uma trapezista escreve nos meus olhos, e entre as nuvens, oiço
escrito na aragem da noite
Amo-te.
Pergunto-lhe,
Porque me amas, Trapezista?
Que me adora, que me
inventa na cama enquanto dorme, e depois
Há sempre uma janela com
fotografia para o mar; e se eu morrer, trapezista,
Continuarás a amar-me?
E enquanto me inventas na
tua cama, eu, o poeta
Veste-se de rio, e deita
a cabeça nos teus seios,
Até que o mar,
Entre todo, pela janela.
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