12 junho 2025

os centeios loiros da alvorada

uma bala de sémen disparada contra a magreza de uma lâmina de barbear,

os sítios, os comuns sítios, no abstracto dilema de pertencer, ou de apenas nunca de nunca o ser, se

se uma abelha se suicida, o que será do mel, o que será da tempestade, do sítio disfarçado de alimento para peixes, um gato,

miau, e tal e tau, pum

outra bala de sémen disparada contra a magreza de uma lâmina de barbear, sentada sobre o lavatório, enquanto o poeta se olha no espelho,

e com os olhos,

escreve sítios disfarçados de tal e coisa, talvez nunca o fosse, talvez, o quase anda

 

essa tal de coisa, e o que será uma coisa? o que fará dos centeios loiros da alvorada, recusarem a suavidade e das mãos de um pente,

porque essa tal de coisa, não sente

os centeios loiros da alvorada, e coitada

coitada da espingarda, tão triste

e tão só, como a noite, como a alvorada

ou como dois seios, aprisionados num soutien, e também

coitados, também como eu

uma coisa, neste caso, duas coisas

perdão; três coisas, eu e os dois mamilos vomitando níquel gorduroso, doce, o mel

 

uma pirâmide que me convidou para tomar um café, um areal branco e fino, lá longe deixou o menino, lá longe

o barco desce as escadas do estendal, é frio e é noite

e dos cortinados da árvore, que ele subia, subia

e até chegar ao céu, depois deitava-se, e

dormia, e dormia

gemia, e gemia, ambos gemiam

e ninguém os ouvia, a não ser dois simpáticos corvos, e duas cândidas pétalas de uma rosa, quanto às balas de sémen, não o sei

e nunca o soube, tão pouco se existe uma ponte depois de quinta-feira, depois de atravessar o rio, e na outra margem, sentada sobre uma pedra cinzenta, eis que me espera

a sombra de uma abelha, quase tão novinha para ser mãe, e quase tão velha,

tão velha como a chuva, tão doce como as pedras das tardes de canseira,

junto à ribeira

 

e eu, eu não sabia que dormia.

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