22 junho 2025

o que faço, e o que sou

o que tive, o que nunca tive, e o que nunca vou ter

fazer, escrever, o ser

saltar da ponte, e sentar-me no teu colo

 

o que fiz, faço-o acreditando na invisível meninice de uma abelha, depois do sexo

fuma o poema, e coloca-lhe a mão na vagina, ouve um apito

talvez um barco regresse, talvez um tolo se suicide, e mesmo assim

não sei o que faço, talvez o faça, nada fazendo, olhar a água que caminha sobre os finos carris da saudade

 

o que faço, o que escrevo, toda esta merda

é apenas o bolso de uma encarnada lua, descendo a rua, e no desencontro de uma alvorada,

desce as escadas, e morre-me na mão

 

ela, viúva, está tão feliz…

finalmente o tolo morreu.

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