o hoje não será mais o ontem que daqui a pouco
novamente será ontem
daqui a pouco já não é
hoje, e mesmo assim, haverá ainda quem sonhe com o amanhã
que daqui a pouco
será também ontem
daqui a pouco será dia,
daqui a pouco serei o rei da selva, serei o leão abandonado, à nascença, apenas
daqui a pouco será outra
vez amanhã, que de tão pouco o ser
será também o ontem
daqui a pouco
hoje não será mais
menino, nem árvore destemida, nem corvo em fim de treino, junto à rabina
não será mais esqueleto,
o teu corpo migalhado por uma lâmina de sémen
as palavras jorram da
pele milimétrica de uma roseira, a costureira, inventava javalis nas pernas de
uma abelha,
e que abelha, meu deus
uns dias está tão quente,
e aos outros dias
tão frias as tias
e as marias
e mesmo assim 723 espadas
se cravam no silêncio do tecto da gruta, descem os albergues, deitam-se todos
os josés, e os zés
depois da chuva, depois
do calor, antes que era ontem, hoje
será daqui a pouco dia, e
daqui a pouco,
e daqui a pouco será
novamente ontem.
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