11 junho 2025

o hoje não será mais o ontem que daqui a pouco novamente será ontem

o hoje não será mais o ontem que daqui a pouco

novamente será ontem

daqui a pouco já não é hoje, e mesmo assim, haverá ainda quem sonhe com o amanhã

que daqui a pouco

será também ontem

 

daqui a pouco será dia, daqui a pouco serei o rei da selva, serei o leão abandonado, à nascença, apenas

daqui a pouco será outra vez amanhã, que de tão pouco o ser

será também o ontem

daqui a pouco

 

hoje não será mais menino, nem árvore destemida, nem corvo em fim de treino, junto à rabina

não será mais esqueleto, o teu corpo migalhado por uma lâmina de sémen

as palavras jorram da pele milimétrica de uma roseira, a costureira, inventava javalis nas pernas de uma abelha,

e que abelha, meu deus

uns dias está tão quente, e aos outros dias

tão frias as tias

e as marias

 

e mesmo assim 723 espadas se cravam no silêncio do tecto da gruta, descem os albergues, deitam-se todos os josés, e os zés

depois da chuva, depois do calor, antes que era ontem, hoje

será daqui a pouco dia, e daqui a pouco,

 

e daqui a pouco será novamente ontem.

Sem comentários:

Enviar um comentário