27 junho 2025

maré desejo

 

maré desejo quão flutua sobre a primeira esquina de luz, da noite constante, em viagem, quase a partida

atravessar o rio e nunca mais, e nunca mais olhar para trás

partir apenas, partir sem despedida

e nunca mais olhar o rio, depois de o atravessar

quando eu chegar ao mar

 

quando eu for já cadáver, purpurar a madrugada, no esplendor de um jardim-criança, crescem estrelas no teu cabelo

de uma árvore cansada, quase chuva

na primavera de uma lágrima,

quase a partida,

esta viagem sonhada…