29 junho 2025

dança sobre a chuva

 

abalroado, o sítio destino de um comboio em lágrimas

o fogo alimenta a esfera de quartzo que se ergue sobre a mesa, do livro, oiço-te inventando sílabas de mármore depois do sono, aqui é a lua confinada ao mercúrio menino

dormir nos teus seios, aqui

o mar aconchega a ferida do final de tarde, a primavera é o cacto, cativeiro orgasmo

oiço-te, invento em ti a geada, capaz de subir à montanha de um apenas abraço, em te ouvir

o cigarro fuma a sua primeira lágrima, o sono é o rei da selva, veste-se de leão, senta-se também sobre a mesa

o verão desce pela janela do encerado, é sábado

depois da chuva, depois do silêncio pertencer aos teus seios

do molhado orvalho, que se veste no teu corpo

e dança sobre a chuva