oblíqua, a parede que a
água fere, divide o silêncio ou no rio que escapa da mão de uma pequena flor
se ergue, semeia o amor
nas traseiras de uma sílaba consistente, um pouco triste
muito ausente, que sente
o frio e delira nas avenidas prateadas de uma floresta, quase
chuva sob o corpo
minguante de uma abelha, sobre a milésima angústia também milenar,
rochedo dos prazeres
a faca entra-lhe
pausadamente no peito, depois ouve-se o apitar de um barco, talvez de partida,
talvez
em regresso, nunca mais
a chegada
o sangue, não o tem
parece um rio seco, um
rio repleto de insónia
e mesmo assim, a lâmina
de aço, que ele em tempos estudou, os aços, e outras merdas fumadas
mas a chegada, minha mãe,
a chegada
estamos quase a chegar, e
cada palavra lançada contra aquela árvore, é apenas uma lágrima chorada
nada mais, do que isso
uma lágrima, uma palavra
escrita no suor da madrugada, um esquecido esquiço, sobre o sofá
uma perna entrelaçada na
sombra de um lençol, não há toque
e a faca cada vez mais
profunda, mais porca e imunda, sem fortuna, ou o azar de ter nascido
e a charrua lavra o braço
quase dormente, ao final do dia
e se um dia, o dia
não ter fim, o que será
de mim
sem o fim, sem ter um
final do dia, digno
de um poeta, em dia
em outro fim, sabendo da
água, que o alumínio ou o cobre, ou o CU e depois o AL
(está tudo na tabela
periódica)
são apenas flores, também
aos olhos,
de alguém
depois o tungsténio, osso
duro de roer, dos duzentos e seis ossos os que ainda tenho, ainda não os vendi
porque se os pudesse
vender
já os tinha trocado por
mulheres e vinho,
e a faca começa a ser
raiva, espuma ao canto da boca, miséria, entre corpos iluminados por uma
vertebra quase pálida, de tanto se olhar no espelho,
espelho meu haverá alguém
mais belo do que eu
o tungsténio encolheu os
ombros, o HCL e o NHCL, olharam-se
sentaram-se,
e hoje são irmãos
a vírgula, divide-se
entre a melodia de uma espada já muito gasta de tanto sorrir, que de seios nada
sabe, a não ser
deixe lá menino deixe lá,
guarde o troco
amanhã será um outro dia.