04 junho 2025

a voz

a voz extingue-se no silêncio de um orgasmo, em círculos, em silêncio, também

alguns livros, um ou outro ponto de luz em busca de uma fresta, tal como o meu espermatozóide, há muitos anos, em busca do óvulo de minha mãe

e a voz é tão silêncio, que se alguém bater à porta, eu talvez não o oiça

 

também

a voz é um mistério de luz, é uma partícula subatómica, e talvez apaixonada pela equação da energia de einstein

e mesmo assim, oiço-a

a voz que se extingue entre sonâmbulos suspiro, entre ribanceiras quase vertigem,

quando o corpo é ausência também,

 

é também um pedaço de ninguém.

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