a navalha de vidro, sufoca-me
provoca-me náuseas,
diarreia
e até, às vezes,
calafrios
daqueles antigos
arrepios, que sentia
que sentia não sentido
quase nada
eu conheço-o, e claro que
sim, claro
que me conhece
olhe, menina
até fomos colegas de
faculdade, recorda-se
talvez até lhe tenha
dedicado um poema, talvez até
talvez até tenha ido
comigo para a cama, lhe tenha desenhado o sol numa mama, e a navalha de vidro,
cada vez mais silêncio, depois a chuva, após o veneno de uma sardinha, depois
vinha
e agarrava-me,
acorrentava-me ao sino da igreja, deus
ria-se do facto de eu
inventar pássaros na alvora
ria de eu ter confessado
que numa tarde de loucura, assassinei uma vadia e rameira, abelha
a colmeia quase pirâmide
nos confins de uma algibeira, ela gemia
a abelha, a abelha sorria
por fim, a navalha de
vidro, voou sobre a mesura alegria do meu pescoço, fiquei sem ele
acabrunhei-me…
e sentei-me sobre a sua
sepultura.
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