Vai partir deste encanto, escreveu sobre a mesa de jantar quase poeirenta, quase também a despedida de uma abelha
Por favor ausento-me,
depois são os peixes, fêmeas até no desejar a infância de uma borboleta, são
lésbicas, são poesia que depois do desejo, um dos peixes, encostada ao vidro,
liberta com a língua cada minuto do meu tempo, eu estou sentado, tenho os
cotovelos sobre a dita e restrita mesa de jantar quase poeirenta, quase também
a despedida de uma abelha, uma colher sente o frio do vento, se depois do
vento, houver outra neblina sobre a toalha, com mais sono do que com a barriga,
despediu-se também ante de ter casado a noite.
Pela janela vem a mim um
pedacinho quase nada de inverno, ao longe sinto as fragas que galguei na minha
meninice nos montes da cunha, sinto o frio nas mãos descalças pela miséria,
descanso-as na algibeira do meu rosto, e depois
Depois ele pegou nas
mãos, e olhou-as como quem olha uma andorinha, no papel da alvorada, depois de
ser desenhada, ou até
Amada, e eu
Eu barcos inventava, era
casado, tinha uma amante em Carcavelos, qualquer coisa como uma peça de aço
amontoado sobre a mesa de uma esplanada, junto ao rio
Uma cabra tintilava os
sinais invisíveis de uma morte, quase
Ao outro dia,
Anunciada. Ele,
Sorria quando sentia o
vento, depois sabia, que a cabra que sorria, também ela, também ela sofria,
Tinha bronquite nas mãos
calejadas pela vassoura mais pesada do que a neve dentro de uma caixa de
sapatos. O correio lhe trouxe a vontade de se livrar da saudade, de vender o
desejo, talvez ao diabo, talvez,
Talvez ao barbeiro
E eu contava-os, tantos
eram os barcos que entravam naquela casa, das traseiras pareciam malmequeres
abandonados, quando saiam, até que um dia
A árvore que caminhava no
passeio da avenida, olhou-a e pegou-lhe na mão
A outra, de corpo
enrolado na despedida do silêncio de um aquário, acaricia-lhe a vagina
parecendo a concha de uma sílaba, distante de um final ponto, qualquer menina,
desejava ser flor,
Enquanto isso, a ponte
era apenas uma invenção do Artur milhas-luz, rapaz de entreter a malta, nas
férias, trapezista, e engatava gajos na rua, fazia-lhes um broxe,
E,
O labirinto em ter tanto
barco dentro de casa, ele sentia que do vento apenas tinha a agradecer, mas
sabia-o também,
Descia, descia até sentir
nos testículos o frio mais frio de Trás-os-Montes, engoliu a saliva, e
deitou-se junto ao nicho de nossa senhora, nossa mãe, mesmo à entrada do jardim
da carreira,
Que porra, foram
insultados, uma velha agreste e mais parecendo o inverno de vila real
Que pouca-vergonha ele e
elas deitados aos pés de nossa senhora nossa mãe, e que sim, também
Também lá estava a
primeira lágrima daquela tarde quase libra, nos lábios de um jardim.
O menino tinha sido
semeado, havia do outro lado do areal um vesúvio destemido e que dançava
parecendo gente, mas que não o era, e que nunca o foi, porque gente não dançava
assim, e a chuva
Porque havia também, há
barcos encalhados naquela casa, há luas quase milagre, depois de despidas, nuas
Ele dançava
Eu acreditava que apenas
um dos barcos me levaria até à lua dos sentidos, depois o frio, a porcaria de
uma árvore quase em declínio e em cio, quase também dançando, quase também o
frio,
Olha dizem que morreu o
Artur
Sentei-as sobre a mesa. O
Artur que se foda, se morreu, morreu
Então minhas lindas
meninas o que têm a dizer em vossa defesa, a não ser que havia uma corda
pendurada na parede da casa de banho, que um dia viu ratazanas em travessuras
lutas lá para os lados de lisboa, que do outro dia, enquanto dormia e se
esquecia, dizia-se ateu e antes de adormecer,
Agradecia a uma qualquer
equação linear desenvolvida na vagina de uma laranja,
Obrigado meu deus por
mais um dia. E que dia.
Dá-me a tua mão meu amor
deixa-me tocar na tua pele de peixe amordaçado enquanto se ouve o leve silêncio
do filtro de água, que de quando em vez, e quase sempre
Borbulhar também o sinto,
eu também responde ele, pequenas gotinhas de oxigénio são lançadas para a lua e
tu meu amor eu amo-te tanto mais do que a liberdade de dançarmos de mãos juntas,
no tanque dos bombeiros voluntários,
Naquele dia era tarde. Havia
baldes com uvas, das mãos das vindimadeiras, o brilho olhar de que um dia,
A vida vai melhorar meu
filho
Eu tenho uma figueira que
dança depois do jantar, saíamos todos, eu e eles, e elas, a algazarra de um
bairro enigmático, o bairro dos sonhos, o eterno bairro do hospital, a casa
número quinze quase em chamas de tanta heroína ter fumado, uma das noites
quando regressava a casa,
Ele olhou para a lua, e viu
com os dois olhinhos mais parecendo fragas do que olhinhos, quanto mais a lua
E sobre a árvore grande e
centenário plátano de Alijó, um menino brincava com a bicicleta, olhei-o
Fechei o olhos. Abri novamente
as persianas da última bebida da noite, e
E lá estava ele em cima
da mais bela árvore e folgante como a charrua que desbrava um texto depois de
sonhado, e em vez de ir dormir
Descia a rua, e depois
Sentava-me em frente ao
rio. E escrevia. E desenhava.
Um menino a brincar com
uma bicicleta sobre um plátano centenário.
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