22 maio 2025

o fogo

o fogo, o primeiro milímetro em decadência, à chuva pertence o mendigo, que arde, que se envenena com palavras, quase que o dia o come, e

a última, depois da seara adormecer, canção da madrugada

 

o fogo, capaz de erguer a maré sobre um livro cinzento, sem alento nem comestíveis flores de papel incinerado dentro de um distante olhar,

e se ele, o fogo, é a vida depois da morte, coitado

do poeta,

que também ele é fogo,

e é também a morte

Sem comentários:

Enviar um comentário