Nunca conheci o meu pai. Cresci acreditando que o meu pai era o meu pai, quando na realidade, a minha mãe escondeu-me que eu era filho do Alberto.
Os meus pais
divorciaram-se pouco tempo de eu nascer, e fui crescendo e fui acreditando que
aquele homem pouco afável era na realidade o meu pai, no entanto
A minha mãe ficava
estranha quando depois de horas na biblioteca, a ler, a escrever, a preparar as
aulas para a faculdade onde leccionava biologia, tão mais estranha quando
folheava alguns livros, quando pegava numa caixinha em madeira com fechadura e
remexia em papeis e cartas, mas claro
Um dia fingi que dormia
no sofá e aproveitando a sua ida à casa de banho, levantei-me repentinamente e
com medo de ser apanhada apenas consegui, no final do texto, ler uma assinatura
quase ilegível; Alberto.
Sofia,
Sim pai,
Porque nos mentiu a tua
mãe?
Não sei pai talvez por medo…
Medo.
Sabes filha, o medo
destrói as pessoas.
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