24 maio 2025

na espada em fogo, serei

na espada em fogo, serei

a palavra silêncio, do corpo quase mágoa, depois, a chuva, e o vento capaz de sangrar quando acorda a primavera

há sempre um passarinho que morre, uma criança, com fome

há sempre cravada no meu peito, uma espada

que em fogo serei, também que às vezes

uma simples pedra me contenta, e faz feliz e alimenta

 

se uma espada é mãe, todo o seu filho é embrulhado no sangue quase também,

o fogo,

de sua mãe, a espada mãe

 

na espada em fogo, serei

o dia disfarçado de noite, serei a ponte metálica, em perfeita harmonia com o rio que galga,

a espada em fogo,

e o fogo que depois sobe a montanha, e se senta junto à ribeira…

 

e escreve nos lábios de uma outra espada, também ela em fogo, também ela, o trigo e o joio, a casa descendo a calçada, do fogo terreno, ao fogo

de uma outra sanzala, e também espada, e também amoreira, e flor e qualquer coisa que se despede de mim, e parte

 

e que nunca mais regressará ao meu peito.

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