na espada em fogo, serei
a palavra silêncio, do
corpo quase mágoa, depois, a chuva, e o vento capaz de sangrar quando acorda a
primavera
há sempre um passarinho
que morre, uma criança, com fome
há sempre cravada no meu
peito, uma espada
que em fogo serei, também
que às vezes
uma simples pedra me
contenta, e faz feliz e alimenta
se uma espada é mãe, todo
o seu filho é embrulhado no sangue quase também,
o fogo,
de sua mãe, a espada mãe
na espada em fogo, serei
o dia disfarçado de
noite, serei a ponte metálica, em perfeita harmonia com o rio que galga,
a espada em fogo,
e o fogo que depois sobe
a montanha, e se senta junto à ribeira…
e escreve nos lábios de
uma outra espada, também ela em fogo, também ela, o trigo e o joio, a casa
descendo a calçada, do fogo terreno, ao fogo
de uma outra sanzala, e
também espada, e também amoreira, e flor e qualquer coisa que se despede de
mim, e parte
e que nunca mais
regressará ao meu peito.
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