16 maio 2025

Uma janela no teu olhar, um carrossel cândido e suspenso no fino arame de silêncio,

Uma pedra que sofre, que aos poucos, morre também

A manhã quase gente, quase árvore na despedida,

Uma janela sempre encerrada, esfomeada, cansada e doente,

Uma janela tão negra como a noite, outra vez, tão despedida,

Como o poema, depois de morrer

 

Uma janela sempre encerrada, sempre mal-iluminada, sem tempo, sempre

O fogo clandestino de uma mão sombria no rosto de uma criança, uma janela com dor, porque é uma janela, porque nunca será flor ou amor

Ou novamente, poema

 

Uma janela no teu olhar, um carrossel cândido e suspenso no fino arame de silêncio, sempre que chove, novamente ausente, que depois regressa, e se deita,

E morre, também,

E é também janela, e é também…

Um pedaço de aço inoxidável

 

 

16/05/2025

03:41

Sem comentários:

Enviar um comentário