27 maio 2025

a tua mão

dá-me a tua mão semeada de silêncios, impregnada de palavras, florida em marés de encanto

a tua mão entre madrugadas, no prazer do vento,

que leva o teu cabelo

e traz da primavera o sabor do beijo

 

desejado, abraçado ao luar dos teus lábios

a tua mão meu amor quase a auréola boreal de uma caricia, te toco, e é quase noite nos teus olhos,

dá-me a tua mão semeada de silêncios, sempre ausente

 

da minha mão que procura a enxada e a tua mão semeada, e da terra lavrada,

a seara loira menina, cresce tanto o sorriso da jangada

pronta para atravessar o rio

 

a tua mão, desejada, dá-me a tua mão semeada de silêncios,

acorrentada à primeira lágrima do amanhecer, e se a tua mão o querer, se o ser, que seja a tua mão a palavra

ou a tua mão semeada de silêncios