26 maio 2025

a charrua que a terra come

a charrua que a terra come, do centeio loiro ao cume da montanha

quando a flor é pintura, e de uma pequena pétala de chuva,

acorda um verso, e ergue-se o silêncio dos teus lábios,

 

peço ao deus dos teus olhos, a luz, a vontade de caminhar sobre a terra que come a charrua, e sempre que a sinto, também peço à lua, também rezo ao vento,

que outra charrua se levante e revolte,

 

que outra terra coma esta pobre charrua…

e que também seja gente

na primeira primavera do teu cabelo à última noite do teu desejar,

e que seja esta pobre e ferrugenta charrua também a charrua do teu olhar…

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