24 abril 2025

Sentir o vento

Sentir o vento crescendo nas planícies secretas dos teus olhos, ter na mão o destino de uma palavra, serena, tão incrédula como a última estrela da madrugada,


Sentir que talvez o vento crescendo, se alimente de uma só vez

Da tua boca quase mel, que só a manhã sabe o seu significado

Tudo tão incrédulo, suspenso no silêncio das tuas palavras lançadas ao mar


E que delas um dia crescerão as sílabas de um chão quase terra, quase

Algodão a tua pele


Sentir, se o vento é a flor do teu sorriso, sentir o perfume da madrugada descendo, correndo

A rua destemida, também ela incrédula, também ela

Uma semente que te espera


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