O grito. Gunter Grass, grita
A safira desiste de ser feliz, e foge durante a noite para a eternidade
Pobre do poeta que não tem destino, que ouve das sílabas de uma fraqueza quase desmaio, de um corpo, depois de incinerado pelo vinho, a última lágrima da noite.
O luar também grita, pois então
Com plenos poderes e direitos, faz-se à luta, também grita o lobo, e grita a raposa nos olhos de um vinhedo.
Grita o gato, e grita a puta
Na lua labuta de um olhar. Grita a papoila, e grita o miar de uma almofada, sem rosto
Sem mar.
Eu também grito, e grita a palavra de um alicate, de pontas afiadas, nas unhas
A maior flor do mundo, Gunter Grass grita, eu depois deixo de gritar, sento-me
Puxo de uma chave de fendas, acendo-a e fumo-a
Como fumo todos os livros que leio.
O centeio, grita. Grita a andorinha depois do duche, antes, muito antes do pequeno-almoço
Grita o moço e a moçoila de lã, despida, em gritos
Cuidado com o cão, ão
O grito de um tostão,
Quase xisto,
Quase pão.
Grita Cristo e grita Pilatos, completamente nu, completamente
Em pequenos gritos. Grita a janela, quando fica entalada no sexo de uma fotografia, grita a poesia
Quando uma vagina, é o dia
Sentido e gritado
Por um poeta cansado.
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