Só posso estar louco. Cada carruagem deste comboio sem destino, neste mar imenso, deste mar que nunca me disseram o nome, e que hoje me habita como se fosse um parasita; respira por mim.
Só posso estar louco, quando o silêncio de uma pedra-pomes sobre a mesa-de-cabeceira, é mais importante
Do que as minhas palavras,
Também elas, às vezes, sobre a mesa-de-cabeceira.
Só posso estar pouco, do tão pouco que eu tenho, que mesmo acreditando que estou louco, sinto prazer em ouvir os pássaros, e pegar na tua mão,
Acreditando que mesmo louco, do tão pouco, este mar imenso galgará as grades invisíveis deste navio que esteve quase sem rumo,
Neste navio que quase é água nas sílabas da tarde junto ao rio.
Só posso estar louco, meu amor…

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