nasceu poeta, e foi menino
foi também barco, oceano de brincar
foi por uma tarde, espingarda
e foi militar, e ainda é poeta e é madrugada
que nada importa
que ninguém se importa com aquilo que ele é
foi avião de combate, voou sobre o mar
embarcou um dia, e ao outro dia
deixou de sonhar e de ter fé
foi foguetão, e foi também casulo e foi também colmeia e foi também palhota e foi também,
um livro que ninguém lê
e é também abelha
nasceu poeta, e foi menino
e foi caneta de tinta permanente, foi aparo
foi tília, e foi amante
é palavra desconhecida, e foi também eremita
nasceu poeta, depois menino, depois árvore e flor e pássaro, e novamente menino,
foi guindaste, pedreiro, é quase engenheiro, e quase sem destino, e quase sem dinheiro
foi cadeira onde ninguém se sentava, desenhava na areia, a saliva da tarde,
foi também madrugada
e foi também…
hoje é apenas o poeta com mil sonhos
que um dia se apaixonou por Belém!
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