éramos os olhos do sol quase também uma fotografia no espelho de uma espingarda, éramos o vento sentindo o peso do poeta quase pó sobre a lua, quase palavra dentro do corpo livro onde escrevia antes de acordar o dia,
éramos a água e soldado de cavalaria, lanceiro fui, e lanceiro morreria depois das flores tuas mãos serem agora um punhado de cinzas,
ou uma pedra amorfa depois da noite quase melancólica na palavra de uma casa abandonada,
éramos a tempestade quase perfeita, quase também uma pirâmide de insónia na saliva do corpo livro de um quarto,
quase que éramos o vento contra os cornos da terra quase toda molhada e quase toda indiferente às lágrimas de uma janela,
éramos o fogo silêncio do outro lado da lua, éramos os olhos do sol quase também uma fotografia no espelho de uma espingarda enquanto dormimos na cama inventada na boca primavera vestida de gaivota, e agora
e agora somos dois poemas pincelados no inferno chão da sanzala, e se a chuva me tocar eu serei também o rio quase mar quase mar depois do dia morrer... e depois do dia acordar.
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