01 março 2025

éramos noite escura na vagina de uma lâmpada

éramos noite escura na vagina de uma lâmpada

éramos sémen e éramos a lua, éramos canção e éramos noite

nua e crua,


éramos o vento nas coxas da madrugada, éramos o primeiro pigmento de silêncio no sorriso de uma palavra,

éramos os lábios de uma gaivota,

e éramos a chuva invertida, na ausência de uma árvore

éramos também o outro destino, se do rio

e no mar,

acordar um menino,


éramos a noite escura na vagina de uma lâmpada

éramos o néon quando os seios são uma seara

soltos no vento,

famintos da minha boca

famintos eles deste alimento,


beber dos teus seios o silêncio do amanhecer, enquanto éramos um livro de poemas, éramos também um rio, sem frio,

quando éramos a sinfonia de uma palavra, beber

se o éramos, tanto o éramos

que hoje são apenas lágrimas enviadas para o mar.


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