éramos noite escura na vagina de uma lâmpada
éramos sémen e éramos a lua, éramos canção e éramos noite
nua e crua,
éramos o vento nas coxas da madrugada, éramos o primeiro pigmento de silêncio no sorriso de uma palavra,
éramos os lábios de uma gaivota,
e éramos a chuva invertida, na ausência de uma árvore
éramos também o outro destino, se do rio
e no mar,
acordar um menino,
éramos a noite escura na vagina de uma lâmpada
éramos o néon quando os seios são uma seara
soltos no vento,
famintos da minha boca
famintos eles deste alimento,
beber dos teus seios o silêncio do amanhecer, enquanto éramos um livro de poemas, éramos também um rio, sem frio,
quando éramos a sinfonia de uma palavra, beber
se o éramos, tanto o éramos
que hoje são apenas lágrimas enviadas para o mar.
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