se a lágrima fosse um pedaço de mar,
se o mar fosse a espuma das manhãs de inverno, se o dia
já fosse noite, a noite
poesia,
se o dia tivesse sol e o sol fosse uma pedra, outra lágrima,
viria.
se a lua tivesse luz e alegria, outra lágrima
acordaria,
só, no rosto do amanhecer.
se o rio fosse uma espada e se cravasse no meu peito, se o rio
fosse uma âncora de néon,
dentro da noite.
se a lágrima fosse um pedaço de mar,
e se o mar fosse a espuma das manhãs de inverno, se o dia
já fosse noite, a noite
poesia,
e os meus dias
não fossem um inferno.
se todas as lágrimas formassem um exército de sombras, se a água fosse o fogo,
e o fogo,
uma nova lágrima, ou uma galáxia de lágrimas
se a lareira fosse um quarto escuro, junto ao mar
junto ao silêncio…
da lágrima que acordará amanhã.
Se todas as armas disparassem flores, ou palavras
Ou poemas.
Se todas as crianças não chorassem, não sofressem, e se a fome de uma criança, não fosse mais a fome de uma criança, ou a lágrima de uma mãe…
se a lágrima fosse um pedaço de mar,
depois de acordar o dia.
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