Encontro o silêncio neste pedaço de pão, olho-o
E sinto que há uma luz
Perpendicular à solidão capaz de retalhar a noite em mil pedaços
Cada flor é um sorriso, e cada álgebra de geada uma lágrima
A serra descobre a límpida água que apenas a sombra escreve no destino
O rio sobe a montanha, senta-se numa pedra cinzenta, a ribeira
Um fio de nylon no capim da saudade
Ouvia o sino de Carvalhais, pincelava as espigas de milho com pequenas observações nocturnas
E lançava as estrelas calçada abaixo
Até que o avô Domingos acordava
E eu imaginava luas nas mãos da minha mãe
Pouca coisa quero recordar de Carvalhais
Uma moça meia-parvinha que o meu avô teimava que eu falasse com a moça para namorar…
Que os pais eram ricos, e eu
Nunca quis riqueza
Esquece, avô
És muito parvo
Pois sou
E sou tolo
A miúda ainda por lá anda, vende artesanato regional de Lafões
Come-se boa vitela e bom cabrito
Que mais recordar de Carvalhais…
Que não me apetece recordar mais nada, nem a minha mãe
Que começo a detestar a fotografia dela
E quando penso nela,
Parece-me uma pessoa estranha…
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