25 janeiro 2025

Se voa, percebo que sim

Se voa, percebo que sim, pelo silêncio que lhe leio nos lábios

se voa, percebe, aquece o salgado mar, e esquece

quando se ergue, abre a boca e um gomo de laranja sobeja na língua encarnada da primavera, grita

olá lua,

olá gente, e no entanto

também ele quer voar sobre o verdejante desejo


Se voa ele o sabe, ele o quer pensando que a geada é o poema vestido de noite, se voa

ele o saberá enquanto a mulher despe-se na aldeia, despe-se e despede-se

até sempre, desde que a lua não volte a iluminar o cemitério lapidado de suor…


Se voar, ele o saberá, dentro de um quadrado, o triângulo sabe que o corpo é uma mortalha de dedos, esconde-se a lágrima depois da chuva, se o sono o quiser, ai se ele voar

voar na despedida da manhã.


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