Se voa, percebo que sim, pelo silêncio que lhe leio nos lábios
se voa, percebe, aquece o salgado mar, e esquece
quando se ergue, abre a boca e um gomo de laranja sobeja na língua encarnada da primavera, grita
olá lua,
olá gente, e no entanto
também ele quer voar sobre o verdejante desejo
Se voa ele o sabe, ele o quer pensando que a geada é o poema vestido de noite, se voa
ele o saberá enquanto a mulher despe-se na aldeia, despe-se e despede-se
até sempre, desde que a lua não volte a iluminar o cemitério lapidado de suor…
Se voar, ele o saberá, dentro de um quadrado, o triângulo sabe que o corpo é uma mortalha de dedos, esconde-se a lágrima depois da chuva, se o sono o quiser, ai se ele voar
voar na despedida da manhã.
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