26 janeiro 2025

Há sol hoje no meu sótão

Há sol hoje no meu sótão.

Às cinco da manhã já havia sol no meu corpo, quase geada antes de adormecer,

quase tinta acrílica nos lábios da tua boca, sentindo o frio do desassossego, do desejo em vão

de te tocar, de te acariciar

há sol, hoje, neste sótão de esperança…


Há sol hoje no meu sótão, de pouco em quando, há sol

do outro lado do rio, há sol no meu corpo mesmo que depois da chuva se erga sobre a pedra

o primeiro olhar de domingo.


Há sol no meu sótão.

Da janela chegam a mim as acácias e as perdizes e as cinzenta madrugadas,

que têm sol,

que hoje são quase uma árvore no jardim.

Há sol no meu corpo cremado de luzes, dispensado da multidão,

há sol no meu corpo, há sol no meu sótão…

Há sol, hoje, na minha mão.


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