A palavra dita, depois escrita
benzida, benedita canção, a palavra inventada
na palavra amada,
a enxada que desgarra a terra nos seios da selva
depois dizíamos que o sossego pertencia ao sótão
entre telas e doceis pinceis de sombra.
A palavra capaz de morder o gato, de escrever no teu corpo
a palavra, semeada depois da chuva
sem saber toda a verdade, também dizíamos
também chorávamos lágrimas-palavra, as calças sobre a mesa, o uísque quase que dormia acreditando que na boca dela, uma sílaba
um tormento.
A palavra dita, tresloucada de razão, e dispara a palavra
pequenas gotinhas da primeira manhã do ultimo adeus,
contra a ribeira.
A roupa no estendal, a sopa ao lume, quase veneração e peregrinação a Fátima, descalço, de pé e a pé
porque depois da chuva uma lágrima de sol
acordará.
Para uns será o acaso,
E para outros, fé.
A palavra é uma arma, é um sonho
a palavra também é a chuva, e também é uma criança
que sobe ao monte mais alto da aldeia, e balança
na esperança
que o adeus
seja uma janela para um outro mar.
E quando a palavra arde?
E quando a palavra é amar?
A palavra dita, depois escrita, depois, palavra.
Onde está a palavra dita, depois escrita
E depois saliva na madrugada?
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