desfaço-me em pequenos grãos de areia, miúda cânfora manhã, lá fora
um pássaro sente a tua ausência, mutua, para sempre
do sítio, lugar ou rua,
sem sentido.
mergulha a migalha de pão na sopa de palavras, e a ausência dos teus olhos são pedaços de lua, miseras madrugadas, loucas noites, à tua procura
quando a noite é um lençol de mar, sobre a tua pele branca em alegres geadas, a neve, na tua mão
derrete, nos meus lábios,
ódio e tudo o mais…
mesmo assim, não estou triste.
procuro em cada silêncio de cor o teu olhar, e uma parte de mim diz-me para te esquecer para sempre
a água transpira loiras moedas de desejo, uma árvore, sabe, que nunca mais te vou ver,
quando a manhã acordar. ficarei só; eu e os meus duzentos e seis ossos.
fui à janela e fui loucamente transportado para o mar, sentei-me na areia, desenhei o teu nome, olhei-o
e loucamente o risquei; ainda não satisfeito e acreditando que ainda restava algum pedacinho do teu nome, fui buscar um balde, enchi-o de água do mar, e lancei
toda a água sobre a sombra do teu nome.
agora, sei, que esqueci o teu nome. agora sei que esqueci o teu rosto, o teu sorriso, os teus olhos, os teus lábios,
agora,
agora sei que esqueci o teu loiro cabelo.
tal como esqueci
o nome da primavera.
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