09 dezembro 2024

A tua voz quase tão cristalina como a água

A tua voz quase tão cristalina como a água, que acorda a manhã e depois esconde-se no inferno de um silêncio 

que é quase mar, ou quase morte 

do meu corpo. 


Hoje percebi que não sei amar e que de poeta quase que o não sou. 

Quanto ao queijo confesso que o meu pai teria feito melhor se tivesse fabricado uma bola de queijo do que procurar o óvulo da senhora minha mãe e me ter fecundado, estávamos todos bem e felizes... 


Mas não, quis o meu pai fecundar-me ao invés de ter feito uma bola de queijo, provavelmente fazer a bola do queijo daria mais trabalho, 

mas não querendo ter trabalho deu-me a mim o trabalho e eu que me amanhe, 

e palavras de poeta que não tem sido nada fácil. 


Se eu fosse um barco certamente está merda já estaria no fundo há muito tempo, 

assim, 

vou sobrevivendo e navegando à vista, 

de tempos a tempos uma pedra sendo degolada na espuma da chuva, 


e eu resisto e não desisto e mesmo assim que eu não sei amar... 



A tua voz quase tão cristalina como o sol da tua mão, a cadeira sentada no meu colo, ao ouvido segredo-lhe sem importância qualquer coisa, 

quase também quase nada de luz nas pálpebras do gatinho prateado. 

E quando eu falar de ti que nunca falo vou saber o que é amar... 


Leio cada coisa mais estranha


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