A tua voz quase tão cristalina como a água, que acorda a manhã e depois esconde-se no inferno de um silêncio
que é quase mar, ou quase morte
do meu corpo.
Hoje percebi que não sei amar e que de poeta quase que o não sou.
Quanto ao queijo confesso que o meu pai teria feito melhor se tivesse fabricado uma bola de queijo do que procurar o óvulo da senhora minha mãe e me ter fecundado, estávamos todos bem e felizes...
Mas não, quis o meu pai fecundar-me ao invés de ter feito uma bola de queijo, provavelmente fazer a bola do queijo daria mais trabalho,
mas não querendo ter trabalho deu-me a mim o trabalho e eu que me amanhe,
e palavras de poeta que não tem sido nada fácil.
Se eu fosse um barco certamente está merda já estaria no fundo há muito tempo,
assim,
vou sobrevivendo e navegando à vista,
de tempos a tempos uma pedra sendo degolada na espuma da chuva,
e eu resisto e não desisto e mesmo assim que eu não sei amar...
A tua voz quase tão cristalina como o sol da tua mão, a cadeira sentada no meu colo, ao ouvido segredo-lhe sem importância qualquer coisa,
quase também quase nada de luz nas pálpebras do gatinho prateado.
E quando eu falar de ti que nunca falo vou saber o que é amar...
Leio cada coisa mais estranha
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